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Domingo, 23 de setembro de 2018
 
14/09/2018 11h16 - Atualizado em 14/09/2018 11h16

Um duplo choque para a família: elucidado o assassinato da professora Maria Ildonei

Andre Farinha
 
 

A morte da educadora aposentada Maria Ildonei Lima Pedra, de 70 anos, resultou num trauma irreparável e em um duplo choque para a família. Isso porque um dos assassinos da idosa foi o seu próprio neto, menor de 18 anos de idade, acompanhado por um colega de escola, também adolescente. A polícia concluiu a investigação e apresentou o resultado em coletiva de imprensa, na quinta-feira (13). Os autores confessaram e relataram os detalhes do crime bárbaro e impressionante, especialmente pela frieza com que foi cometido. A dupla foi encaminhada para a Unidade Educacional de Internação (Unei), onde aguardará pelo julgamento.

A identidade dos menores não foi revelada. Conforme o delegado responsável pelo caso, Giulliano Carvalho Biacio, os adolescentes eram muito estudiosos, tinham bom comportamento, mas apresentavam certa afixação pelo universo sombrio de assassinatos em séries, com leitura de livros e filmes, e planejavam já há algum tempo matar alguém para iniciar suas carreiras de ‘psicopatas’. A escolha pela professora veio, segundo alegou o neto, de uma antiga briga que a avó teve com a sua mãe – justificativa essa que a família nega ter ocorrido.

No dia do assassinato, um dos menores chegou ao outro, no colégio em que estudavam, e disse que havia 'acordado com vontade de matar alguém'. O segundo concordou e então saíram para ‘satisfazer o desejo’. A dupla foi até a casa da aposentada, onde conversaram com ela por um momento no portão e depois entraram no imóvel. Lá dentro, Maria Ildonei foi atingida por um golpe de faca no pescoço desferido pelo comparsa, em seguida, o neto a golpeou na região do abdômen.

Depois que a idosa morreu, os adolescentes tiveram a frieza de limpar o local, usaram produtos para tirar as impressões digitais da porta e demais objetos e também tentaram despistar a polícia, revirando a casa e quebrando os telefones celulares da vítima. Para evitar que algum vizinho os visse saindo da casa naquele horário, a dupla usou uma máscara de caveira para fugir. Todos os objetivos foram levados por eles numa mochila, como a faca usada no assassinato, um soco inglês e luvas de látex.

Os adolescentes estavam mesmo premeditados a iniciarem a ‘carreira de psicopatas’. Para tanto, após matarem a idosa, fizeram uma espécie de assinatura, algo muito comum nos casos que envolvem assassinos em séries. Eles deixaram o crucifixo no peito e os terços nos braços e ainda gravaram, com o sangue da vítima, a data do homicídio em duas taças. A professora morreu no dia 31 de agosto. Em seguida, a dupla trocou de roupa e foi para um shopping center. Toda a ação durou pouco mais de uma hora.

A investigação

A polícia chegou até o neto da vítima após o depoimento de uma testemunha, que alegou ver os adolescentes saírem da casa da professora. A polícia também sabia que o crime teria a participação de alguém conhecido da professora, especialmente pelo fato da porta ter sido fechada e trancada – a maçaneta estava quebrada e havia um jeito especifico para fechá-la. Outro ponto importante foi o fato de nada ter sido roubado da casa e que Maria não tinha nenhum inimigo ou desavenças que poderiam motivar o crime.

A investigação já tinha pistas que indicavam a participação do neto, entretanto, ele demorou para confessar o crime, fato que fez diretamente aos seus pais e depois ao delegado. O caso impressionou pela brutalidade e frieza com que foi cometido. A polícia apreendeu com a dupla uma coleção de facas, a máscara de caveira usada na fuga, um soco inglês, réplica de uma pistola, entre outros objetos. Agora, a investigação será encaminhada para a Delegacia Especializada no Atendimento a Infância e a Juventude (Deaij), os menores serão indiciados por homicídio qualificado e deverão passar por uma perícia de sanidade mental.



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