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04/03/2013 10h59 - Atualizado em 04/03/2013 10h59

Dos escombros à esperança, romper o ciclo de pobreza

Dirci Borelli Marquart, brasileira e empresária na cidade de Washington, D.C. é fundadora da Mission Serv, entidade de ajuda internacional que atua em diversos países e, por seus laços culturais e afetivos, de forma especial no Brasil. O projeto humanitário que teve início com assistência médica, odontológica e oftalmológica, hoje constrói imóvel de uso comunitário ao mesmo tempo em que fornece equipamentos e treinamento para as comunidades no projeto chamado Factories of Hope (Fábricas da Esperança).

Dirceu Martins (colaborador)
 
 
Dirci Borelli Marquart Dirci Borelli Marquart

Dirci explica todos os passos e processos para a qualidade e visibilidade alcançados pelo projeto que iniciou a partir de Washington (EUA) e foi inicialmente direcionado ao Brasil.

O projeto nasceu a partir de um planejamento de nossa empresa que trabalha em Washington, Estados Unidos, com uma galeria de pedra-granito brasileiros exóticos, chamada Stone Art Galery. Desde o início era nosso desejo realizar uma obra social paralela. Lógico que o nosso trabalho na empresa beneficiava comunidades de onde nós comprávamos o granito aqui no Brasil, diferente daquele conceito de exploração e opressão histórica dos colonizadores. Fizemos de forma oposta, se vínhamos adquirir nossos produtos, tínhamos a clareza de que deveríamos deixar algo de valor na região, para a população daquela região. E foi com esse espírito que a nossa família, porque é um negócio da família, se comprometeu a começar um trabalho social. E nós começamos a montar expedições voluntárias de pessoas que queriam, que desejavam fazer um turismo de ordem social.

Existem artigos belíssimos, publicados em revistas e jornais norte-americanos, questionando os motivos de as agências de turismo apresentar problemas em convencer pessoas a conhecerem o Brasil, para o turismo de lazer, e tem esse grupo que leva voluntários, que pagam suas próprias passagens e estadia, e disponibilizam duas semanas de seus tempos para ajudar comunidades carentes.

Iniciamos na área de saúde, pela facilidade em se conseguir médicos e dentistas que se dispunham a dedicar 15 dias de suas férias nesse trabalho. Estivemos primeiramente no Maranhão onde conseguiu-se erradicar o problema de fissura labiopalatal (lábio leporino ou fenda palatina) e depois fizemos tratamento de queimados e outras coisas mais simples, cirurgias sem grande complexidade e trabalhos oftálmicos e odontológicos.

Utilizávamos a rede clínica pública e tínhamos autorização do Conselho Regional de Medicina.

Mas o projeto ganhou visibilidade e passamos a ter pedidos de outras pessoas, advogados, donas de casa, professores, que perguntavam se não havia nada, nenhum trabalho que pudessem realizar. Ai nós abrimos um leque, começamos a trabalhar com construções populares, sejam clínicas, centros comunitários, capelas. O que a comunidade dizia precisar.

Em nossa cidade, o prefeito ficou tão entusiasmado com o trabalho que a Mission Serv estava fazendo no Brasil que eles adotaram um município do Ceará como cidade irmã. Nós começamos, a pedido do prefeito, um festival do Brasil lá. Hoje, tem um festival do Brasil em Washington em função do trabalho voluntário.

 
Processo de construção Processo de construção

Dentro desse espírito é que nós chegamos à conclusão que você traz trinta voluntários que gastam em torno de US$ 2 mil, o que soma US$ 60 mil numa missão voluntária, e que ajudam no nosso sistema de construção, auxiliando no carregamento de carrinhos de mão com areia, na mistura de massa.

A gente não maximizava o esforço deles, foi ai que meu filho se empolgou em tornar mais fácil esse trabalho. Pesquisou por anos em vários países que utilizam tecnologias de construção populares, como a China, México, todo o Estados Unidos, até que conseguimos toda a tecnologia preparada para a preparação do tijolo verde, ou tijolo ecológico.

O processo consiste em moer restos de construção com outros materiais que possam ser aproveitados e, a partir disto, fazemos os tijolos e construímos. Em novembro de 2012 estivemos em uma missão voluntária em João Pessoa (PB), e estou seguindo para lá, pois virá uma equipe muito grande acompanhado de uma TV da Califórnia que produz o programa The Quiet Hour (A Hora Tranquila), pediram para fazer um trabalho conosco, unindo seus voluntários aos nossos. Nós vamos usar todas as técnicas de construção que temos.

 
Dirci, voluntários e colaboradores durante o processo de construção. Dirci, voluntários e colaboradores durante o processo de construção.

O programa cresceu em cima da necessidade da experiência. Nós fizemos uma missão piloto no ano de 2012, com adolescentes de 12 a 15 anos mais donas de casa, enfermeira, uma sociality e seu marido, que a princípio disse que iria apenas passear e fazer compras, o filho do casal, que nunca havia trabalhado, um empresário que é dono de praticamente metade de nossa cidade. Todos trabalharam muito, confeccionando os tijolos, e construímos, foi sensacional.

Hoje nós temos capacidade de construir uma escola ou uma capela para 120 cadeiras, em sete dias. Então imagina a diferença, o impacto no pessoal que vem e vê a solução concretizada. Porque eles ajudam e não apenas carregando material para o pedreiro local trabalhar. E nesse processo, ensinam. Nesse projeto nós treinamos quatro rapazes, que nunca haviam trabalhado com construção, estavam desempregados e haviam trabalhado com antenas de telefonia móvel. Deixamos um projeto para que eles desenvolvessem e, eles aprenderam tão bem com os “gringos” que o resultado foi fabuloso.

Outros países, novos investidores

Nós estivemos recentemente em Dublin (Irlanda) para uma reunião de investidores que se interessam por investimento na área social. Não é gente que dá dinheiro, é gente que empresta dinheiro, mas eles querem, além do lucro, a geração de melhoria de qualidade de vida para as comunidades. Eles se chamam EVPA – European Venture Philanthropy Association. Desta reunião nós tivemos dois grupos altamente interessados no nosso programa Factories of Hope. O Habitat for Humanity e a Siemens que está abrindo um escritório no Chile para atender a área social na América Latina, e a diretora da Alemanha pediu que nós colocássemos no sistema deles o programa Facotories of Hope, para competir a nível mundial em formas criativas de treinar a comunidades que sejam autossustentáveis.

A gente manda um kit desses equipamentos com o moedor de restos de construção, a misturadora e a fôrma. O conceito é que nós vamos a diferentes países agora com o equipamento e um mês de treinamento para estabelecer uma Fábrica de Esperança numa vila, digamos. Nós deixamos um equipamento montado com uma equipe da comunidade, treinada, e um edifício pronto. A própria comunidade escolhe sua prioridade, uma escola, uma capela, um centro comunitário, enfim.

Haiti

Temos pelo menos duas solicitações de trabalhos no Haiti, no entanto, a situação é tão delicada que estamos analisando estratégias e viabilidade. Mas nós temos um grande interesse em poder colaborar com aquela população e existem organizações que já disponibilizaram as verbas para que façamos este projeto, é apenas uma questão de logística. O problema é de tal monta que chega a ser maior do que comporta qualquer projeto humanitário, mas temos que pensar que diversos pequenos projetos talvez consigam resultados se aplicados naquele país. Você não conserta o Mundo de uma vez, mas precisa o primeiro passo.

Período de trabalho

Trabalhamos, geralmente em período de férias. O nosso espaço de tempo mais importante é o spring break (quebra de março, férias de primavera, é um recesso no início da primavera em universidades e escolas).

Parcerias

Nós trabalhos com o grupo “Smiles from around the World” (Sorrisos de Todo o Mundo), também com o Flying Doctors for America (Os médicos que voam da América) Projeto Hope (Esperança) que existiu até a década de 1970, que era um navio hospital e hoje não existe mais, mas nos autorizou usar sua sigla.

Você não conserta o Mundo de uma vez, mas precisa o primeiro passo.

— Dirci Borelli Marquart

Projetos para Mato Grosso do Sul

Queremos trazer, no spring break do próximo ano, um grupo de estudantes de uma academia de música para fazer um trabalho social. O Hospital do Pênfigo recebeu uma doação dos descendentes do Gunter Hans, fundador do hospital, que criaram uma creche para crianças abandonadas, próximo ao hospital, e necessitam construir a casa dos meninos, pois só existe a casa das meninas. Eles nos procuraram e nós viemos fazer uma avaliação do local e traremos um grupo em março/abril de 2014. E queremos que este grupo de músicos americanos interaja com a população fazendo apresentações. O Jornal Liberdade vai fazer a cobertura do trabalho e dos concertos que apresentarão.



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