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Terça-feira, 17 de outubro de 2017
 
12/05/2017 12h31 - Atualizado em 12/05/2017 12h31

A Psicologia Positiva como tratamento ao bullying

Andre Farinha
 
 
Guilherme Fagundes Euzebio Teixeira, psicólogo no Instituto Carol Valdes – Núcleo em Psicologia Positiva e Hipnose Guilherme Fagundes Euzebio Teixeira, psicólogo no Instituto Carol Valdes – Núcleo em Psicologia Positiva e Hipnose

Segundo o dicionário, a palavra bullying é um termo da língua inglesa que significa ‘valentão’, fazendo referência a todas as formas e atitudes agressivas, sejam verbais ou físicas, que ocorrem sem motivação, causando dor e angústia. Um problema existente no mundo inteiro e que é seríssimo, podendo até mesmo levar à vítima ao suicídio. Entre as alternativas de combate está o tratamento por meio da Psicologia Positiva, técnica inovadora que busca fortalecer no individuo os pensamentos positivos, proporcionando a autoaceitação e estimulando a felicidade plena e verdadeira.

O Jornal O Liberdade entrevistou nesta semana o psicólogo Guilherme Fagundes Euzebio Teixeira, que trabalha no Instituto Carol Valdes – Núcleo em Psicologia Positiva e Hipnose, em Campo Grande. Na conversa, o profissional explanou sobre o bullying e como a psicologia positiva pode ajudar a tratar e a superar esse mal, transformando a relação afetiva com outras pessoas e melhorando a qualidade de vida. Confira:

Jornal O Liberdade: O que é a Psicologia Positiva?

Guilherme Fagundes: É um novo olhar na forma de ver o mundo. Hoje, com o desenvolvimento tecnológico, vemos que as pessoas têm um sentimento voltado para a vítima. A Psicologia Positiva consegue entrar no pensamento e mostrar o que é a felicidade, o que você consegue ver de positivo na sua vida, e tenta trazer a felicidade como um estilo de vida. Através de hábitos positivos você consegue desenvolver uma felicidade mais duradoura. Nós temos o costume de sempre estar reclamando, de sempre estar trazendo o pensamento de que as coisas não vão acontecer, e a Psicologia Positiva ajuda a ser mais resiliente, mais otimista, a aprender a lidar com o perdão, que é outra coisa muito difícil na vida das pessoas.

E como você descrever o bullying?

Guilherme Fagundes: As pessoas definem o bullying como um mal estar na sociedade. Eu coloco como uma doença em que a própria pessoa consegue sentir dentro dela. O bullying só funciona quando você [vítima] aceita a crítica. As pessoas vivem tentando mudar o agressor no sentido de não mais fazer o bullying, mas se você tem uma autoformação de si, do que você é, do que pensa, não vai ligar para o que os outros dizem. Temos que parar de pensar que o bullying deve ser combatido mudando o agressor e sim mudar a pessoa que se enquadra como vítima. Entender que ela, a vítima, é feliz com o que é, com o que tem, e buscar mudanças para aquilo que não gosta nela e não mais se tornar vítima ao colocar tal coisa como um problema.

Como a Psicologia Positiva atua nesse processo de mudança de comportamento?

Guilherme Fagundes: Na minha infância eu sofri bullying, só que na minha época os jovens eram muito mais dependentes dos pais, mais ao mesmo tempo cresciam emocionalmente mais forte por toda a dificuldade que os pais transmitiam. Hoje os jovens são diferentes, por conta de toda a tecnologia disponível eles já crescem sabendo muito, trazem um pensamento cheio de opinião, só que estão crescendo mais fragilizados emocionalmente. O bullying positivo entra no sentido de identificar na pessoa o que ela pode trabalhar de positivo na vida dela, que seria fortalecendo a resiliência, aprender a lidar com a opinião e o sentimento dos outros, como os outros olham ela, ser mais otimista, agradecer mais pelo que tem.

Hoje vivemos um falso desejo, porque o tempo todo estamos vendo nas redes sociais as pessoas conseguindo algo ou indo para algum lugar, com isso, constantemente os nossos desejos ficam aflorados. Você fica pensando: ‘nossa, também queria estar fazendo essa viagem, queria estar comendo naquele lugar’. Isso é o que chamo de falso desejo.

Na questão do perdão, hoje o mundo é voltado ao excluir e trocar. Tudo o que você não gosta é mais fácil excluir ou trocar da sua vida. Não entramos naquele pensamento do ‘eu vou acreditar, eu vou compreender o que está acontecendo e tentar melhorar em cima disso’. É um mundo mais descartável e o perdão se torna cada dia mais difícil. Só que as pessoas não enxergam que a falta do perdão, nada mais é, do que um transmissor do rancor. E esse rancor faz com que mude a sua essência com o próximo, com as próximas vivências que terá.

Quais são as consequências do não tratamento do bullying?

Guilherme Fagundes: No meu trabalho levantei cinco questões que são primordiais para o jovem ter essa fragilidade. A primeira é a ansiedade generalizada, o quanto o jovem se sente ansioso. Um exemplo claro é o whatsapp, quando ele manda a mensagem e fica acompanhando o tempo entre chegar, ser visualizada e respondida. A segunda é a dificuldade de lidar com o outro. O jovem hoje usa muito os aplicativos de mensagens instantâneas e quase não tem o contato pessoal, quando ele precisa resolver questões que obrigatoriamente tenham esse contato direto, você sente a dificuldade para ter uma conversa madura. A terceira é o falso desejo, que citei anteriormente, e a quarta o pensamento do perdão. A quinta e última questão é o humano, os jovens precisam entender que não somos perfeitos, que cometemos erros, que temos defeitos.

Essas questões são cobradas muito do jovem e, por ser fragilizado emocionalmente, não tem uma grande compreensão desse sofrimento. Com isso, ele não sabe buscar ajuda e se enquadra no papel de vítima, consequentemente, por não buscar o socorro adequado, acaba partindo para o suicídio.

Os jovens têm buscado o suicido por sofrer o bullying, por não saber lidar com isso dentro de si e por preferir o ‘não sentir mais nada’.

Quem deve procurar o tratamento?

Guilherme Fagundes: É muito importante, primeiramente, os pais. Eles têm que estar observando as reações do filho, como ele tem se comportado. A escola também é muito importante para ver o comportamento, não voltado à questão das notas – até porque um aluno que tem o sofrimento interno consegue se sair bem nas provas –, mas o comportamento dentro da escola. E, principalmente, o próprio jovem. Ele vem do mundo do saber, sabem desde pequeno buscar alguma coisa frente à internet para obter apoio. Os jovens que não estão conseguindo lidar com isso podem pedir aos pais para que levem até uma terapia para aprender a lidar com suas emoções e sentimentos. Não deve ter vergonha de ir em busca de ajuda.

O fato de o jovem se aceitar é importante para o tratamento?

Guilherme Fagundes: Se você aceita quem você é, como você age, vão ter pessoas para te amar, para ficar ao ser lado. Então, se olhar o que tem de positivo e não ficar se lamentando por qualquer questão que sinta ou que esteja ligada ao seu corpo, vai ser feliz. Se olhar o que tem de bom, vai ser feliz. E quanto você aceita, o bullying muda, porque aquele cara que você enxergava como um agressor vai passar a ser teu amigo. Você vai rir da piada e pensar numa para fazer com ele.

Você também já foi vitima de bullying? Conte a sua experiência.

Guilherme Fagundes: Hoje eu sou uma pessoa que, com muita gratidão a tudo que aprendi, posse dizer que a grande maioria dos meus agressores são hoje meus grandes amigos. Porque, ao invés de olhar com raiva, passei a enxerga-los como grandes amigos que me fortaleceram com algo que eu sentia sobre mim, que era o problema, e quando aprendi que não um problema eu fui feliz ao lado deles.

Serviço: o Instituto Carol Valdes – Núcleo de Psicologia Positiva e Hipnose está situado na 25 de Dezembro, 2266, Monte Castelo, Campo Grande, MS. O telefone de contato é o (67) 3026-2221/992437547.



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