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Terça-feira, 17 de outubro de 2017
 
16/06/2017 12h03 - Atualizado em 16/06/2017 12h03

O conto de Chokito: a doçura do samba

Andre Farinha
 
 
Sambista Chokito exibe seu primeiro EP, gravado em outubro de 2016. (Foto: André Farinha) Sambista Chokito exibe seu primeiro EP, gravado em outubro de 2016. (Foto: André Farinha)

Foi uma chacota, por assim dizer, que fez Sanderson Serafim Mariano torna-se Chokito. Sambista e carioca, hoje sul-mato-grossense de coração, ele desponta como uma das grandes revelações da música regional. Claro que o caminho para chegar até este reconhecimento não foi nada fácil; só de pensar que de 1985 – quando o pai, seu Mariano, o colocou num projeto social para aprender música com a finalidade de tirá-lo dos ‘perigos que cercavam a rua’ – até os dias de hoje já se foram mais de 30 anos. A ocupação deu mais que um resultado positivo, tornou-se a vida daquele garoto que agora é adulto e canta nos barzinhos da Capital.

"Em 1985, meu pai me pôs para fazer uma atividade complementar na extinta Fundação do Bem Estar do Menor. Eu estudava e a tarde fazia aula de teoria musical e prática. Até que um dia meu pai foi transferido para Campo Grande. Na época, até pensei que era para a região de Campo Grande, no Rio de Janeiro mesmo, conseguiria ficar perto dos meus amigos, mas não, era no Mato Grosso do Sul, bem longe. Meu pai faleceu no ano passado.", contou o sambista Chokito, em entrevista ao jornalista André Farinha, para o Jornal O Liberdade.

 
Chokito tem em seu reportório, além de músicas autorais, clássicos do samba brasileiro. (Foto: Reprodução) Chokito tem em seu reportório, além de músicas autorais, clássicos do samba brasileiro. (Foto: Reprodução)

O início do ofício de sambista como forma de ganha-pão aconteceu dentro do quartel. Foi nesse período também que surgiu o nome que usaria para sempre, Chokito. "O nome vem de uma brincadeira que eu achava ruim, no começo, mas que acabou pegando. Em 1992, uma amiga e eu tínhamos o costume de trocar cartas, e nós também tínhamos a mania de comer juntos o chocolate chokito. Certa vez, ela mandou uma carta com a embalagem deste chocolate dentro. Eu tinha acabado de jogar futebol com amigos e, quando abri a carta, o rótulo caiu e, imediatamente, a galera começou a me chamar de Chokito", contou, aos risos da lembrança,

Foi também nesta fase de quartel que Chokito teve o seu primeiro grupo de samba e pagode, chamado Chamego. "A banda Chamego surgiu da amizade minha com alguns soldados. Com o tempo, a coisa foi evoluindo e passamos a ser convidados para animar festas de aniversário, eventos da base área, até que fomos tocar em Sidrolândia. A banda ficou mais conhecida e passamos a se apresentar em várias casas de Campo Grande. Eu tocava repique de mão e, depois, assumi o pandeiro. O grupo acabou em 1997.".

O segundo grupo de samba e pagode que Chokito participou foi o Kytafeito, que encerrou suas atividades no ano de 2013, após lançar dois discos. "No ano de 1998 participei do grupo ‘Dito e Feito’, novamente tocando pandeiro e fazendo vocal de apoio. Após três anos da banda nós fomos convidados a não usar mais esse nome. Um restaurante no Rio de Janeiro disse que tinha os direitos e fomos obrigados a mudar, então, para Kytafeito. Eu sai dois meses antes do grupo acabar.", relembrou o sambista.

 
Chokito lançou seu primeiro EP no ano passado, contendo cinco músicas Chokito lançou seu primeiro EP no ano passado, contendo cinco músicas

A carreira-solo começou neste meio tempo. Chokito estava revezando entre as atividades do grupo e a vontade de tocar independente, até que as portas foram se abrindo para o seu nome e a coisa se deslanchou de vez entre 2013 e 2014. Conforme conta, o apoio principal veio da esposa, Tatiane Clink, que o empresariou e incentivou desde o início. No ano passado, Chokito conseguiu lançar seu primeiro EP, intitulado ‘Fissura de Amor’. "Meu primeiro trabalho solo foi uma benção. Queria um negócio top, mas não tinha grana, por sorte algumas pessoas ajudaram com esse projeto e consegui gravar o disco", disse, complementando que as músicas gravadas são todas de sambistas cariocas.

Perguntado sobre o cenário do samba e pagode em Mato Grosso do Sul, Chokito cita que o Estado produz excelentes músicos, mas o mercado já foi muito melhor.

"O cenário já foi melhor, principalmente na década de 90. Hoje nós temos muitas leis que prejudicam músicos e empresários. Os bares não podem mais receber show sem ter toda uma estrutura, alvarás e tem ainda a lei do silêncio e coisa e tal. Além disso, também tem a concorrência musical, no samba não existe aquela união que se vê no sertanejo, por exemplo.".

Atualmente, Chokito tem se apresentado sempre às sextas-feiras no Hotel Novotel, situado na Avenida Mato Grosso, 5555. E periodicamente no Quintal do Samba, na Rua Santa Dorotéia, 358. "Meu reportório é samba-raiz, com Arlindo, Zeca Pagodinho, Cartola, Dicró e muitos outros, além, é claro, de samba autoral.", comentou. Sobre o futuro da carreira, o músico ressalta que seu maior desejo é viver fazendo o que mais gosta: tocar e cantar. "Meu objetivo é viver da música, do samba.", finalizou, esbanjando simpatia e alegria, típico de qualquer sambista carioca.

Os telefones para contratar o show de Chokito são: (67) 99258-4949 (Claro)// 99981-8929 (vivo)// 98135-9510 (Tim)// 98455 7959 (OI). Para maiores informações, acesse a fan page oficial do cantor no Faceebook (https://www.facebook.com/chokitocantor/?pnref=story).



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