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14/06/2013 08h21 - Atualizado em 14/06/2013 08h21

Nós e os outros

Dr Fabio Trad
 

A falta de competitividade do Brasil se manifesta pelo desfiar de números, de índices e indícios que, pela sua própria exorbitância, acabam mal digeridos, prestando-se mais a sugerir uma macunaímica impotência do País para desatar os nós que nos amarram ao atraso.

O pior é que as referências confiáveis sustentam uma das raras unanimidades nacionais: o Brasil está entalado no gargalo de um longo impasse competitivo, se materializa nos transportes e em todos os demais setores estratégicos.

Menos que rememorar números do tristemente célebre custo Brasil, quero chamar a atenção para o ‘déficit de compromisso’ com que esse grave e crônico entrave tem sido tratado, nos últimos dias.

Poderia ser só uma amarga ironia que a MP 595, a tão mareada Medida Provisória dos Portos, tenha encalhado nesta Casa. Porém, foi muito mais que isso. O conflito de interesses provocou o que o presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, classificou como o episódio mais lamentável visto em sua longa carreira parlamentar.

Ainda assim, sempre tive e tenho a mais inarredável convicção de que a Câmara Federal jamais será o banco de areia da intransigência, onde a MP dos Portos naufragaria inapelavelmente.

Contudo, o déficit de competitividade do Brasil não está, infelizmente, só nos portos públicos, hoje loteados a exploradores privados que “não querem concorrência”, como disse a ministra Gleise Hoffmann, da Casa Civil.

O custo Brasil, que nos rouba energia competitiva, está, também, na indústria que, mesmo rebocada por pacotes bilionários de incentivo, segue perdendo espaço para concorrentes, tanto no mercado externo como dentro de casa.

A indústria brasileira recebe proteção do governo, mas, ao contrário do que ocorre em outros países, não precisa cumprir exigências para melhorar o desempenho.

Para o renomado economista Luiz Gonzaga Belluzzo, o governo deve adotar uma política de ganho de competitividade, inclusive com redução de lucro.

Muitos especialistas apontam que a receita para o País avançar em competitividade está em diminuir da rentabilidade, em benefício de melhor remuneração da mão de obra.

Um dos argumentos favoráveis à proposta está em pesquisa da Universidade de Princeton, EUA: Enquanto no Brasil, um funcionário do McDonald’s compra meio Big Mac com o que ganha em uma hora de trabalho, seu equivalente japonês pode comer três ‘Bigs’ com o fruto do mesmo esforço.

Assim, o déficit de competitividade industrial do Brasil não pode ser financiado indefinidamente pelo contribuinte, através das sempre renovadas isenções de IPI, agregadas a crédito subsidiado e a outras facilidades, para a indústria automobilística, de eletrodomésticos etc.

Aliás, não por outra razão, o empresariado brasileiro está sempre pronto a apontar os gargalos de logística e de transportes, além da burocracia estatal, como causas exclusivas do ‘custo Brasil’. Socorridos a cada ‘grita’, para eles a falta de competitividade é um problema do governo.



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