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23/08/2013 16h21 - Atualizado em 23/08/2013 16h21

"Burocratismo" emperra o desenvolvimento do país

Dr Fabio Trad
 

Recente pesquisa da Confederação Nacional da Indústria aponta que, não só os investidores, mas toda a população brasileira se dá conta dos prejuízos provocados pela burocracia exagerada.

Enquanto oito de cada dez brasileiros consideram o Brasil um país burocrático ou muito burocrático, 68% defendem que o governo deveria inscrever o combate à burocracia entre suas prioridades, e 73% apontam que o excesso de procedimentos estimula a corrupção e desestimula negócios.

Realista, a própria CNI, patrocinadora da pesquisa, tem expectativa bem modesta sobre a redução da burocracia brasileira. A entidade espera que o Brasil caia da atual 130ª para a 80ª posição no ranking do Banco Mundial que compara a facilidade de se fazer negócios em 185 países. Mas isso até o longínquo ano de 2022.

"Só para lembrar, e corar de vergonha, a Colômbia hoje ostenta honroso 45º lugar, enquanto o Peru está em 43º e África do Sul em 39º", lembrou o deputado federal Fabio Trad (PMDB-MS).

O Brasil tem incontáveis obstáculos a remover do caminho que pode elevá-lo a patamares de competitividade condizentes com o tamanho da economia brasileira e, claro, com as expectativas de embarcar no trem-bala da modernidade econômica.

"Por enquanto, lamentavelmente, seguimos encalacrados no velho vagão-fantasma do custo Brasil gigantesco, arrastado pela lamurienta ‘maria fumaça’ burocrática e paquidérmica, encalhada no socavão do atraso mental que parece ser nosso destino irrecorrível", lembrou o deputado sul-mato-grossense.

Erros Históricos

Durante a ditadura de 1964 a 1985, o militarismo instalou no Brasil uma poderosa casta burocrática que, aliada aos anseios dos golpistas, conferia ao estado de exceção ares de competência gerencial, pretensamente civil.

Para o Fabio Trad, sob a proteção da ditadura a qual servia, esta burocracia se agigantou com base no enfraquecimento do estado democrático de direito ocupando todos os âmbitos da vida nacional. "A tal ponto que o humor corrosivo, muitas vezes a única arma da oposição silenciada, cunhou o ditado, famoso à época, que dizia ser o burocrata igual ao livro: quanto mais no alto, mais inútil", citou o deputado.

Este burocratismo representa, ainda hoje, uma onerosa herança de um período de trevas, quando a sobrevivência do regime dependia do tamanho descomunal do Estado. "Ainda há muitos ossos insepultos daquele temível gigante", comentou.

Se a burocracia ágil e enxuta é instrumento fundamental à boa gestão governamental, o burocratismo se caracteriza pela transformação do Estado em um "elefante branco" cujas estruturas superpostas são tanto mais onerosas quanto ineficazes. "E cuja selva legal, ou cipoal legalista, cria dificuldades aos investidores e, por isso, fomenta a corrupção", completou Fabio Trad.

O burocratismo semeia dificuldades para colher facilidades. "Essa opção por transgredir tanto tenta o cidadão investidor, preso no emaranhado legalista, quanto o burocrata que lhe abre a picada da burla, a trilha da sonegação", concluiu.



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