O Liberdade

Previsão do Tempo

Campo Grande
+29°C
Grupo Liberdade
Segunda-feira, 20 de novembro de 2017
 
01/04/2013 08h53 - Atualizado em 01/04/2013 08h53

Cirurgia de vesícula põe fim à vida normal de paciente

Dirceu Mastins
 
Foto do abdômen de Dona Guiomar, com o catéter Foto do abdômen de Dona Guiomar, com o catéter

Em 1997 Dona Guiomar Barbosa de Santana, então com 62 anos, diagnosticada com cálculos vesiculares (pedras na vesícula e submetida a uma aparentemente simples colecistectomia [cirurgia para retirada de vesícula biliar] no Hospital Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, com a equipe do cirurgião Dr. Roberto Basso. Durante a cirurgia, conforme ficou posteriormente comprovado, foi lesionado o colédoco [canal existente no fígado humano, principal via de eliminação da bile para o intestino], no que seus familiares acreditam ter havido um erro médico, sem tivessem sido informados do ocorrido.

Dias após receber alta hospitalar e já na sua residência, Dona Guiomar apresentou sintomas de icterícia [grande quantidade de pigmentos biliares no sangue], pele amarelada e febre constante e que não respondia a medicamentos. Foi encaminhada ao mesmo médico que procedeu à cirurgia, hospitalizada e submetida a nova cirurgia, desta feita com o Dr. Júlio César Haidomus. Por ocasião desta cirurgia o médico constatou que o grau da lesão do canal afetado causou uma estenose [estreitamento ou fechamento da estrutura tubular] e, por não haver excreção biliar, o fígado inflamou e “empedrou”. O procedimento foi a retirada das partes necrosadas do fígado. Dona Guiomar foi internada na Unidade de Terapia Intensiva e os médicos não lhe deram esperança de vida. O prontuário da primeira cirurgia foi solicitado por um de seus filhos, mas o hospital se negou a entregar. Mesmo com a recuperação da segunda cirurgia, a paciente apresentava episódios de febre dores e calafrios que surgiam de tempos em tempos e eram comumente diagnosticados como “virose” na rede pública de saúde. Nenhum diagnóstico definitivo. Em 2004, a filha de Dona Guiomar mudou-se para Campo Grande, providenciou um plano de saúde privada e fez uma consulta com a Dra. Maria Denise Berri, quando expôs o histórico clínico da paciente.

Foram realizadas ressonância magnética e tomografia que indicaram a existência de fechamento total dos canais que transporte da bile e cirrose secundária, com alto risco de septicemia [infecção generalizada causada por bactérias que infectam o sangue. Potencialmente fatal, a doença afeta os pulmões, rins e coração], pois a bile estagnada pode ser criadouro para bactérias, predispondo a doenças infecciosas. As obstruções como as que acometeram a paciente, levam a uma inflamação do fígado que evolui para uma fibrose na veia portal hepática [com o ataque contínuo, o fígado vai ‘descamando’ e, após uma série destes ataques as cicatrizes deixadas são tão fortes que ele não consegue se regenerar], por esse motivo dona Guiomar foi submetida a uma descompressão cirúrgica – alça em Y de Roux – para permitir acesso através da pele, pela parede abdominal ou através de endoscopia e uma jejunostomia.

Ficou bem por uns tempos, porém, passado dois anos, voltou a apresentar novamente todos os sintomas anteriores. Procuramos o Dr, Ivan Reis, hepatologista, e fomos informados que após de tantos procedimentos sem sucessos, só restava um tratamento, drenagem percutânea trans-hepática feita por um radiologista, especialista que não existia em Campo Grande.

Dona Guiomar seguiu para tratamento no Hospital Nossa Senhora de Lourdes, em São Paulo, onde foi atendida pelo Dr. Osvaldo Ignácio Pereira. O tratamento consistiu na colocação de um pequeno balão que é insuflado no canal da bile permitindo a colocação de um dreno interno ligado a outro externo, que deve ser substituído a cada três meses. Durante cinco anos dona Guiomar viajou trimestralmente para São Paulo até que em 2012 o Dr. Thiago Franchi Nunes passou a atender essa especialidade no setor de hemodinâmica do Hospital Proncor Geral, em Campo Grande.

Hoje ela é portadora de cirrose hepática secundária, varizes esofágicas devido o aumento da pressão na veia porta, tem deficiências nutricionais e má-absorção, e devido a alta toxidade no organismo, tem lapsos de memória, o que a impossibilita de fazer muitas coisas. Ela jamais poderá tirar esse cateter, pois sem ele, só resta o transplante de fígado, que na sua idade não é aconselhável. Faz uso de medicação contínua de alto custo (Ursacol), que não é fornecido pelo SUS.

Na época e por falta de informação e orientação os familiares de Dona Guiomar não buscaram a justiça para que o médico responsável pudesse se defender do suposto erro cometido durante a cirurgia. Quando da vinda de sua filha, Fátima Belchior, em 2004 para Campo Grande, o período para a responsabilização judicial havia prescrito. Dona Fátima Belchior solicitou que fossem citados todos os médicos responsáveis pelas cirurgias e tratamentos.

Estado do fígado com Cirrose Estado do fígado com Cirrose


Este material não pode ser publicado, transmitido, reescrito ou redistribuído.
Copyright 2014 © O Liberdade - Todos os direitos reservados. By Bimboo Software

Expediente | Anunciar no site | Trabalhe Conosco | Reportar Erro