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13/02/2018 10h41 - Atualizado em 13/02/2018 10h41

Wilson Barbosa Martins morre na Capital aos 100 anos

Andre Farinha
 
 
Ex-governador de MS Wilson Barbosa Martins (Foto: Victor Chileno/Arquivo)
Ex-governador de MS Wilson Barbosa Martins (Foto: Victor Chileno/Arquivo)

Faleceu na madrugada desta terça-feira (13), em Campo Grande, Wilson Barbosa Martins, uma das figuras políticas mais importantes e influentes da história de Mato Grosso do Sul. A morte aconteceu por volta das seis horas da manhã em sua casa, na rua 15 de Novembro. Ele já estava sob cuidados médicos e com a saúde debilitada.

Com 100 anos de vida, completados em 2017, Dr. Wilson foi prefeito de Campo Grande, governador do Estado de Mato Grosso do Sul, deputado federal e senador da República. 

Segundo as informações dos familiares, o velório está previsto para hoje à tarde, no Palácio Popular da Cultura, localizado no Parque dos Poderes. O sepultamento deve ocorrer às 10 horas de quarta-feira (14), no Cemitério Parque das Primaveras.

História

Wilson Barbosa Martins nasceu no distrito de Vacaria, hoje região de Rio Brilhante, no dia 21 de Junho de 2017.  Aos 22 anos formou-se em Direito, área que chegou a atuar. No ano de 1943 casou-se com Nelly Martins, filha de Vespasiano Martins, importante nome na luta pela divisão estadual e que também foi prefeito de Campo Grande por quatro mandatos, senador e governador do então Estado de Maracaju, criado sem autorização da União durante a revolução constitucionalista de 1932 e que mais tarde seria o Estado de Mato Grosso do Sul.

Ajudou a fundar o UDN e, em 1946, disputou o cargo de prefeito de Campo Grande pela primeira vez. Perdeu o pleito para Ary Coelho de Oliveira (PTB), assassinado dois anos depois em Cuiabá. O primeiro mandato de Wilson frente à Prefeitura Campo-grandense aconteceu em 1958 e durou até 1962.

Foi eleito deputado federal pelo Estado de Mato Grosso no ano seguinte, na oportunidade, foi reconhecido como um dos dez melhores parlamentares da Câmara Federal. Criou e presidiu o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em 1966, que mais tarde passaria a se chamar PMDB e recentemente voltou a usar a antiga nomenclatura.

Opositor da ditadura, Wilson teve o mandato cassado em 1969 através do AI-5 (Ato Institucional nº 5). Sem ter os direitos políticos, afastou-se da vida pública e retomou a carreira na advocacia, inclusive, foi o primeiro presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso do Sul).

Em 1982, Dr. Wilson se tornou o primeiro governador eleito pelo voto direto na história de Mato Grosso do Sul, comando o estado entre 1983 a 1986, quando renunciou para concorrer ao Senado. Em sua gestão estadual pavimentou 2,5 mil quilômetros de rodovias, incluindo-se as rodovias federais BR-262 (entre Corumbá e Três Lagoas) e a BR-163 (entre Dourados e a divisa do Paraná).

Foi senador entre os anos de 1987 a 1994, na oportunidade foi dos integrantes da Constituinte de 1988.  No fim do mandato tornou a disputar o Governo do Estado e concluiu obras importantes que haviam sido deixadas pelo antecessor Pedro Pedrossian, como o Parque das Nações Indígenas, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, Parque do Produtor (que nunca foi concluída e acabou dando origem ao Shopping Norte Sul) e a Rodoviária de Campo Grande no Jardim Cabreúva e que atualmente está inacabada e com projeto novo para dar vida ao Centro de Belas Artes.

Foi nessa gestão que aconteceu a venda da Enersul (Empresa Energética de Mato Grosso do Sul) por R$ 700 milhões. A venda foi uma alternativa encontrada por Wilson para conseguir pagar salários dos funcionários públicos e débitos do governo estadual.

Em 2010, Dr. Wilson lançou a sua biografia, intitulada como "Memória – Janela da História". Na oportunidade, foi eleito para ocupar a cadeira nº 38 da ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras), que antes era ocupado por sua esposa, também escritora, morta em 2003. Eles tiveram três filhos: Thaís, Celina e Nelson.

Nos últimos anos, Wilson Barbosa Martins enfrentou doenças ocasionadas pelo avanço da idade. Em 2013 teve um AVC e no ano seguinte sofreu um mal súbito, ficando acamado. A situação clínica impediu que comparecesse aos eventos festivos em celebração ao seu centenário e agora, em 2018, veio a óbito encerrando uma riquíssima trajetória de vida.



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