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Terça-feira, 17 de outubro de 2017
 
11/08/2017 11h50 - Atualizado em 11/08/2017 11h50

Coréia do Norte x EUA: a guerra que ninguém quer

Andre Farinha
 
 

O mundo nunca esteve tão próximo de um novo conflito militar como nesses últimos meses. Muito embora a grande parcela das nações acredite, fielmente, que tudo terminará de forma pacífica – e há razões claras para isso – a guerra-fria envolvendo os presidentes Donald Trump, dos EUA, e o ditador norte-coreano Kim Jong-Un parece se intensificar a cada nascer do Sol. Nesta sexta-feira (11), a batalha de declarações ganhou um novo capitulo, deixando a entender que o início do confronto depende apenas de um ‘primeiro passo’, seja lá de quem for.

Pela rede social Twitter, o presidente Trump postou: "As soluções militares estão agora totalmente instaladas, guardadas e carregadas, se a Coréia do Norte atuar imprudentemente. Espero que Kim Jong Un encontre outro caminho!". A declaração é uma reposta à exibição do ‘plano de ataque’ da Coréia à Ilha de Guam, ocorrido na quarta-feira (09), na qual ficou bem claro que o início para os bombardeios à região, que pertence aos Estados Unidos e é um importante território militar, aguarda o sinal do ditador.

O citado plano de ataque ainda está em fase de elaboração pelo exército daquele país, a expectativa é que até meados deste mês a estratégia militar esteja pronta, ficando o início da guerra contra os Estados Unidos à mercê da vontade de Kim Jong-Un.

Ainda na guerra de declarações entre os presidentes, na terça-feira (08), o líder americano, também pelo Twitter, postou uma mensagem intimidando os norte-coreanos. "É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos Estados Unidos. Enfrentarão fogo e fúria como o mundo nunca viu". No dia seguinte, o general norte-coreano, Kim Rak Gyom, afirmou que a declaração era "um monte de bobagem". "Parece que ele não entendeu o recado. Diálogo saudável não é possível com um sujeito tão desprovido de razão e apenas força absoluta pode funcionar sobre ele", disse.

Na quinta-feira (10), em novas declarações, Trump manteve a postura rígida direcionada a Pyongyang, Capital da Coréia do Norte, ao dizer que "talvez a expressão fogo e fúria [utilizada anteriormente] não tenha sido forte o suficiente". Em nova reposta, o ditador rebateu dizendo que os Estados Unidos irão "sofrer uma derrota vergonhosa e uma condenação final" caso "persistam em suas aventuras militares, sanções e pressões extremas".

O poder da Coréia do Norte

Tida como uma nação extremamente fechada para o resto do mundo, a República da Coréia do Norte tem um poder de fogo desconhecido. A imprensa americana repercute que os instrumentos militares do país são ultrapassados, com a maior parte ainda dos tempos da última guerra mundial. A vantagem que a nação teria contra os americanos é a ameaça nuclear e os mísseis que poderiam cruzar todo o oceano e atingir os EUA.

No poder desde 2011, Kim Jong-Un é o ditador que mais realizou testes balísticos no país. Foram 80 disparos, 14 somente ao longo deste ano, com pelo menos 10 bem sucedidos. Em 2016, o país realizou o maior teste com ogiva nuclear da história, alcançando 30 kilotons – exatamente a metade da potência da bomba nuclear que destruiu a cidade de Hiroshima, no Japão.

No meio deste poder de fogo está a Coréia do Sul, importante aliada dos EUA e que, se vier a acontecer o conflito, será a principal castigada. Comparando as duas nações, estimasse que o exército do Norte tenha mais homens que o do Sul, as forças de artilharia e os mísseis poderiam arrasar Seul, capital sul-coreana, em apenas algumas horas – muito embora a informação seja negada pela imprensa internacional.

Também é dito que o Norte possui um vasto arsenal químico, armas biológicas e tem um grande número de forças especiais altamente treinadas e unidades destinadas a se infiltrar no Sul, além de estar desenvolvendo a capacidade para ataque cibernético.

Por que a guerra não deve acontecer?

Apesar de toda a movimentação militar na Península da Coréia, a guerra não deverá acontecer. Primeiramente, porque não há interesse de nenhum dos dois presidentes envolvidos; segundo, nenhuma das nações está em condições de arcar com os custos pesados de um batalha deste porte; e terceiro e mais importante, porque Kim não tem o chamado ‘regime suicida’ e sabe que não teria condições de enfrentar o adversário, colocando todo o seu ‘reinado’ em xeque.

A derrota da Coréia do Norte é inevitável se olharmos a estratégia no mapa. No eventual conflito, os Estados Unidos teriam suporte total da Coréia do Sul e do Japão, que estão próximas das fronteiras com o país. Por outro lado, o Norte, que tem apoio da China e, supostamente, da Rússia, não deverá contar com o reforço militar uma vez que estes países não têm interesse de bancar o conflito e muito menos de receber os futuros refugiados.

Para professores e historiadores, apesar da gravidade das declarações atuais, a situação na península não mudará e os Estados Unidos, e todo o planeta, deverão aguentar as provocações norte-coreanas por mais tempo. A real possibilidade de um grande conflito naquela região só aconteceria se em um destes testes e manobras realizadas constantemente pelos países envolvidos desse algo de errado que acabe ‘atingido sem querer’ o território alheio – a propósito, é isso que todos estão esperando: que alguém dê o primeiro tiro e assuma a culpa por provocar a terceira guerra mundial.

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